By t.h.
Primeiro vou transcrever uns trechos de uma crônica de Marcelo Amaral:
"(...)
Não quero ter muitos contatos. A maioria das pessoas é desinteressante. Em um mundo boçal como este que vivemos, quanto mais gente conhecemos, mais medíocres ficamos.
(...)
A misantropia liberta. Sendo um eremita, não devo me preocupar em defender uma imagem. Não tenho de dar satisfação a ninguém. Posso ser independente. Dizer o que o que penso, observo e sinto. E da maneira exata que penso, observo e sinto. Apenas o solitário ganha o direito de ser autêntico atualmente.
Outra vantagem de ser anti-social: poder dizer não categoricamente. O cara que "conhece todo mundo" receia negar. Teme ser indelicado. Claro, para manter a rede de contatos, obriga-se a trocar favores. O ermitão não tem este problema. Tem total liberdade de ser desagradável. De não ficar com o rabo preso. Eu me realizo quando falo um não bem incisivo.
(...)"
Sendo assim, vou enumerar cinco motivos que me motivam a me manter antissociável. Isso mesmo. Eu não sou um sociopata, ou sofro de distúrbios psicopatológicos. Ser antissociável é uma decisão, no meu caso. Decisão muito sensata ao meu ver. "E lá vamos nós!": Hã? Como é? Por que só cinco? Um que existem tantos motivos que se eu teria que passar dois dias só para enumerar, sem fazer comentário nenhum, e teria que usar uns 10 ou 15 posts para fazer isso; Dois que eu tenho mais o que fazer; e Três que Eu não sou obrigado. Agora sim: "E lá vamos nós!":
1. "A maioria das pessoas é desinteressante." Posso ir mais longe e dizer que as pessoas desisteressantes têm um imã para assuntos desinteressantes. Claro que já conheci pessoas totalmente desinteressantes que tinham interesses por assuntos bem interessantes e vice-versa, mas isso é exceção. Em geral, os assuntos e as pessoas se assemelham em interesse e relevância.
Mas, enfim, o que é um assunto desinteressante?! Essa resposta é como a retina (para não usar outro exemplo mais conhecido), cada um com a sua, mas não consigo enxergar como alguém poderia se interessar por certos assuntos. Exemplo: por que diabos alguém quer saber que o filho da empregada de algum ator foi à praia?! E o que faz uma pessoa entrar diariamente no site do IML para ver quantas mortes ocorreram no dia anterior (considerando que ela não trabalha na SSP)? E mais importante: por que essa pessoa acredita que essa informação deve ser passada adiante? E por que tem que contar justamente a mim?!
Depois de algum tempo essas pessoas notam que eu não estou nem aí pras "notícias" super-ultra-mega-power-top-advanced-plus-II (e aí?! Como fica a hifenização com a reforma?!) importantes, me classificam como chato e param de me aporrinhar com essas besteiras. Uma maravilha.
2. Outro fator para me manter antissociável é a chamada Maldição da Falação. É incrível como as pessoas têm o poder de não perceber que você não quer ser incomodado. Por mais que você esteja lendo, com fones de ouvido, e com o maior semblante de introspecção, sempre vem aquele féladaputa para te interromper de modo que você não apenas se perca na história, como fique tão emputecido que acabe perdendo a marcação do livro. E o pior: é sempre a mesma pessoa! Enfim, depois de algum tempo, assim como na outra situação, a pessoa percebe (ou é forçada a isso) que não é bem quista e desiste. Ou não.
3. Você não é convidado para aquelas festas superdivertidas do filho daquele seu colega de trabalho que nem fala com você direito, e só te convidou para aumentar o número de presentes que o pestinha iria ganhar. Em verdade, em verdade, você não é convidado para quase nenhuma festa. Eu mesmo nunca fui num casamento. \o/
4. Se por acaso você nadar contra a corrente dos antissociáveis e criar uma conta no orkut (assumo que me aventurei por algum tempo), você não receberá aqueles scraps fofos, cheios de purpurina, musiquinhas chatas, mensagens de auto-ajuda, positivismo, spams, e toda essa merda que costuma aparecer no perfil de muita gente. Todo mundo vai perceber que você apaga todos e não responde nenhum, então, depois de certo tempo (não muito longo) você quase não recebe mais scrap nenhum. Isso por que eu nem quero falar da babaquice que são essas comunidades. Mais um tempinho e você percebe que boa parte dos seus "amigos" são totalmente dispensáveis e os exclui. Ou troca por um hamburger. Alguns dias depois você percebe a total inutilidade daquilo na sua vida e exclui a sua conta, assim como eu.
5. As conversas sem graça do msn não duram mais que 5 minutos... Depois de te perguntar sobre as novidades - que sempre te deixam sem resposta, pois você não sabe há quanto tempo conversou com aquele ser, e também não faz ideia do que ele sabe da sua vida -, cria-se aquele momento de "silêncio sepulcral virtual", e você simplesmente para de conversar com a criatura, que provavalmente não te importunará novamente por um bom tempo, deixando você bem à vontade para conversar com aquela gostosa que você conheceu no Curso de História da Arte, que eu sei que você faz.
Era isso.
Boa noite.
PS: Esse post era para sair ontem, mas combinei de ir para as Muriçocas do Miramar com aquela gostosa do msn.
2 comentários:
Identifico-me em muitas das suas palavras, não nego. Creio até que seja um pouco antisocial. Mas, em meio a sociedade, consigo achar o espaço necessário para a minha introspecção. Texto muito bem escrito!!!
Ótimo texto. Nem preciso dizer que me reconheci demais no texto.
Sei que a idéia não era esgotar o tema, mas um motivo não poderia ter ficado de fora, e me lembrei dele hoje à tarde:
- Quando você é antissocial ninguém se mete na sua vida!
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