quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Triste, mas vivo

"Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo mais porque vivo maior." (Fernando Pessoa, O livro do desassossego).

Ao mesmo tempo em que me sinto profundamente triste e sozinho, estou melhor que nunca. Me sinto confiante, me sinto como se eu pudesse ter qualquer mulher, conquistar qualquer emprego, obter as melhores notas, estar nos melhores lugares, no entanto, nada disso me apetece...

Vivo. Essa é a palavra. Me sinto vivo. Diz-se que o momento em que se está mais vivo é aquele que antecede a morte. Mas não acho que eu vá morrer agora, ou, ao menos, não é isso que me tem motivado. Pra falar bem a verdade, não sei o que tem me motivado.

Da mesma forma, não sei de onde vem essa tristeza, essa solidão. E quanto mais triste, mais só, mais me sinto vivo. E mais sonho. Mais planejo. Mais invento histórias que nunca sairão da minha cabeça. Mais amo. Mais ofereço. Menos dôo.

"Mais ofereço. Menos dôo." Mais uma contradição. Mas essa se explica pelo medo. Não gosto de sentir medo, ele me faz sentir fraco, e eu não tenho o direito de ser fraco. Mas enfrentá-los requer força, e eu não tenho mais nenhuma. Então me sinto vivo e não vivo, por medo. Medo de tudo. Medo de viver além do conhecido. Medo de ser feliz e deixar de ser vivo. Medo de comprovar que não ESTOU triste, mas que SOU triste. Medo de me deixar ser amado. Medo do que posso encontrar. Medo de você. Medo dela. Medo de dar tudo certo. Medo de tudo acabar mal. Medo de não saber. Mas, principalmente, medo do que sou capaz de fazer, porque não o sei. Medo de quanto mal posso causar. Medo de quanta dor pode ser originada por mim. Medo de quanta felicidade por estar escondida em mim. Medo de ser demais. Medo de ser de menos. Medo de ser eu mesmo. Medo de não saber quem eu sou.
Tenho medo de mim.
Mas isso é assunto pra outro dia...

domingo, 19 de outubro de 2008

Preciso de alguém para amar...

*Esse texto é só um rascunho sempre inacabado daquilo que, às vezes, costumo chamar "minha vida"...

Preciso de alguém para amar...
Mas não um alguém qualquer... Preciso de um alguém novo, um alguém louco, irreversível, irresistível... Preciso de um alguém que me faça novo, que faça com que eu me redescubra uma vez, e de novo, e mais uma vez... Quero um alguém que me transforme naquilo que nunca fui, mas sempre o quis... Um alguém que me leve onde nunca fui, num lugar onde sequer meu pensamento esteve...
Preciso de um alguém que faça meu coração bater tão forte quanto possível, um alguém que me angustie, que me não me saia da cabeça nenhum minuto durante o dia... Um amor completo, de corpo, alma, coração, braços, pernas, mãos, olhos, gosto, cheiro, pele... Um amor diferente de todos os que já vivi...
Um amor que não caiba em mim, e que transborde a todos ao meu redor, e que ao sentí-lo, todos sintam-se contageados pela felicidade que transborda junto com esse amor...
Não quero um alguém perfeito, se é que ele existe... Quero um alguém cheio de imperfeções, e que estas sejam a cada dia o sinal da liberdade de escolher amá-la apesar disso...
Quero um amor livre... E que a cada manhã, ao vê-la, linda, dormindo, esse amor se mostre livre a ser direcionado a qualquer outro destino, livre que é, mas a escolha repouse novamente sobre ela, e mais uma vez, e novamente...
Quero um alguém que veja além do que eu mostro. Um alguém que saiba ler o meu silêncio, já que ele parece ser mais presente que minhas palavras... Um alguém que saiba ler o que minhas palavras não dizem...
Preciso de alguém para amar...

Continua...

Ps1: Continuo sentindo falta...
Ps2: Não sei se isso significa que estou voltando...