No final do ano temos, cada um de nós, rituais próprios para a passagem. Cada um tem sua maneira de se despedir do ano que se finda, se “livrar” de tudo de ruim que o ano representa; escolher que memórias representarão o ano, quais serão delidas, quais ficarão guardadas lá no fundo da memória; planejar o novo ano, definir objetivos, destinos; fazer pedidos e mais pedidos: emprego, o amor da sua vida, dinheiro, paz, lipoaspiração, saúde, carro 0 km, uma moto 1100cc, computador, felicidade, entre tantos outros pedidos que vemos por aí; promessas não-cumpridas repetidas: parar de fumar, parar de beber, ir mais à igreja, se preocupar menos, fazer exercícios, se dedicar mais aos estudos, ler mais, etc.; além de toda a tradição que envolve o reveillon: roupas novas e brancas, champagne, fogos, felicitações, pulinhos no mar, superstições, etc..
Tenho asco de uma coisa no reveillon: pessoas que mal se cumprimentam no dia-a-dia, sorridentes, abraçadas, desejando-se “Feliz Ano Novo”... Apenas votos pérfidos de felicidade... No outro dia, cruzam-se na rua e não trocam sequer um aceno...
Não tem nada errado se você faz qualquer uma dessas coisas, a vida é sua, e eu não tenho nada a ver com isso. Na verdade, eu também faço algumas. Mas é importante não fazer isso apenas por fazer, pra seguir moda, por que é tradição, para parecer educado. Se quer fazer faça por você, por que você acha que é importante, bom, e não por que alguém disse o é.
Eu estou revendo meus conceitos e pré-conceitos, normas e regras, tradições e rituais, crenças... To refazendo meu modus faciendi... To me reescrevendo... De trás pra frente, começando pouco antes do fim e terminando bem longe do começo, sem passar pelo meio, sem ponto final nem interrogações... Apenas vírgulas e reticências... To me mudando...
Defini meus destinos;
Não vou usar roupa nova, nem preta, como era tradição;
Vou deixar minhas memórias onde estão, elas que se virem pra “arrumar” um lugar pra ficar;
Não planejei, nem vou planejar como será 2008. Pra ser sincero não vou planejar mais nada de agora em diante;
Não vou fazer promessas, por isso esperem tudo e nada de mim... Aliás, “exige muito de ti e espera pouco dos outros.” (Confúcio)
E o mais importante: não vou pedir nada. Exatamente, sem pedidos. Sem expectativas não há decepções, já que elas são diretamente proporcionais. Como diz um ditado infame (que eu não encontrei o autor): “nasci pelado, banguela e careca: o que vier é lucro”.
No lugar disso vou agradecer pelo que me aconteceu nesse ano. Não dá pra agradecer por tudo nem a todos, mas vou tentar ser justo, pelo menos até onde minha memória conseguir lembrar. Quero agradecer especialmente a:
- Genildo e Valdete, a quem normalmente chamo de painho e mainha. A esses dois devo minha vida (literal e figurativamente). Sem dúvidas esses são os melhores pais do mundo. São cheios de defeitos, não são ricos, não têm diploma universitário, se preocupam demais com o futuro, fazem muita “tempestade em copo d’água”. Amam, divertem-se (e nos divertem), são companheiros, confidentes, amigos, carinhosos, preocupados (desta vez no “bom sentido”), generosos. Respeitam minha liberdade, meu espaço, meu mau humor, minha (in)dependência. Sacrificam-se como apenas pais de verdade fariam, têm a felicidade dos filhos à frente da sua própria (reclamo com eles por isso), sabem ouvir, aconselhar, dar broncas, gritar, criticar. Obrigado, meus pais.
- Nayanna Caroline, ou apenas Carol. Caramba, falar o quê dessa menina/mulher? Pessoa que já está na minha vida há algum tempo, mas que nesse ano passou a ter uma participação mais ativa e importante. Obrigado pelas dicas (a do vinho foi excelente), conselhos, sugestões de presentes, apoio como Personal Picture Consulter, conversas, mas, acima de tudo, pela força no meu momento mais difícil. Espero que você saiba o quanto você foi importante na minha vida naquele momento, o quanto sua ajuda foi imprescindível, e o quanto te tenho estima por isso. Muito obrigado, Carol.
- Sidicléia. Quem sabe de tudo o que aconteceu pode até estranhar esse nome aqui, mas é inegável o quanto ela me fez bem durante o tempo em que estivemos juntos. É certo que sofri muito no fim, mas se comparados aos momentos felizes que passamos juntos foi quase nada, talvez por isso tenha doído tanto, mas isso é outra história, que já está enterrada. E ainda tem tudo que aprendi, enquanto namoramos, sobre a vida, sobre “amor”, sobre relacionamentos, sobre mulheres, sobre ela, sobre mim, e tudo mais que tenho aprendido depois que ela me perdeu. Obrigado, Sidicléia, por ter me feito tão feliz.
- Cyntya, também conhecida como Cynhazynha. Minha amiga de todas as horas. Obrigado pelas dicas (incluindo HP), conselhos, confidências, sigilo, confiança, segredos, conversas, consultas, festas, bebedeiras, risos, piadas. Obrigado pelos “carões”, pelas discussões (se é que pode-se chamar assim), pela paciência, pelas críticas, por me ouvir, por opinar sem tentar me convencer, pela sua fé em mim, pelos trabalhos, enfim, obrigado por ser essa amiga fiel e companheira.
- Ariana. Essa garota que, desde 2005, já passou tantas vezes pela minha vida de tantas maneiras diferentes... Paquera “virtual”, namorada, ex-namorada chata, ex-namorada, amiga e, hoje, grande amiga... Obrigado, Ariana. Obrigado por me entender, por conseguir me ver tão bem, por atender minhas ligações nos horários mais impróprios, pelas conversas intermináveis noite a dentro, por ser essa pessoa com quem eu posso sempre contar. Obrigado por continuar, apesar de tudo, fazendo parte da minha vida.
- Maria da Luz, que com toda sua experiência e lições de vida, me fez ver muita coisa que, por mais que estivessem claras, eu insistia em não ver. Obrigado pela força sempre que eu precisei, pelas conversas, pelos salgados, pelos almoços sempre deliciosos, por ouvir minhas “criatividades”, pelos conselhos e críticas. Obrigado, Da Luz.
- Jéssica, ou Jê. Minha irmã mais nova. Passamos a maior parte do ano trocando farpas, brigando muito. Falamos demais, nos intrometemos onde não devíamos (ou devíamos), nos insultamos, enfim, coisas que quaisquer irmãos fazem normalmente. Quero agradecer, especificamente, por aquela conversa, naquele domingo à tarde, quando não havia mais ninguém, quando todas as minhas certezas estavam ruindo. Obrigado por ter me ouvido. Obrigado por não tentar me dizer o que fazer. Obrigado também por tudo mais depois daquela tarde. Valeu, Jê!
- Nando, mais novo amigo “virtual”. Obrigado por me lembrar da importância de: se ter bons amigos (mesmo que virtuais), manter contato, dizer-lhes sempre o quanto eles são importantes. Obrigado por sempre me dar força, me incentivar. Obrigado pelas palavras de estima e reconhecimento. Valeu, amigão!
- Eduardo e Célio, meus amigos quebradores©, valeu pela hospedagem 6 estrelas; Clébio, por ser sempre presente (mesmo que ausente) e por continuar o mesmo amigo dos bons e velhos tempos; Carolina, por me salvar várias vezes; Thamirys, por tudo que te ter na minha vida representa para mim; Heloísa Maria, sem palavras; Fábio, por me ouvir sempre; Evilásio, pelo conhecimento transmitido; Jussara, pelas oportunidades, livros e guias; Gileno, pela visão crítica, pelas doses diárias de sarcasmo e pela confiança; Nazareno, pelas ironias, piadas e opiniões sempre criteriosas; Cartaxo, pelas “preciosas” dicas de como ser no-sense; Ramildo, pelas oportunidades, pelas lições de como ser humano e profissional ao mesmo tempo; Antônio, pela ajuda com o arquivo e por me fazer lembrar de coisas nas quais eu acreditava e que os anos acabaram me fazendo esquecer.
- Todos os meus amigos, novos e antigos, presentes ou ausentes, próximos ou distantes.
Ah! Ia esquecendo! Sinceros votos de Feliz Ano Novo.
PS: A lista está em ordem semi-aleatória.


