Vou logo avisando que já faz algum tempo que eu não escrevo, então esses primeiros posts podem ficar um pouco confusos, mas com a prática eles devem se tornar mais inteligíveis. =D
Vou falar sobre a felicidade. Na verdade são apenas elucubrações de uma mente divagante (sempre quis dizer isso!). Mas o que é felicidade? Uns dizem que é um lugar onde se chega, e onde todos os seus desejos são realizados, todas as preocupações são levadas embora, todos os medos e dores são sanados e você pode, finalmente, ficar em paz e ser feliz para sempre. Outros dizem que é passageira, e você encontra naqueles momentos raros quando os seus desejos e sonhos mais intensos se efetivam, quando você se sente verdadeiramente realizado, quando você chega ao fim de uma longa jornada em busca dessa realização. Daí chega Margaret Lee Runbeck e diz que “A felicidade não é uma estação à qual chegamos, mas sim uma forma de viajar”.
Por algum tempo acreditei nisso e procurei a melhor forma de seguir viagem. Mas uma hora ou outra ela terminava. E aí? O que fazer agora? Simples, começa-se outra viagem. Ah! Se fosse tão fácil: cada nova viagem exige uma nova forma de viajar e quando eu a descobria já está quase no fim da jornada.
Em uma dessas percebi algo: ela não estava totalmente certa. A felicidade realmente não é um lugar aonde se vai. Mas também não é uma forma de viajar. A felicidade é a viagem. Isso mesmo, a viagem. Perdia tanto tempo procurando a melhor forma de viajar que não presta atenção na viagem “em si” (foi mal copiar tua fala, Herbert).
É na viagem que tudo acontece. Os planos, as expectativas, as apostas, os medos, o calafrio. Milhares de oportunidades são dadas, milhões de possibilidades são testadas e tudo dá certo. É na viagem que aqueles 99% que ninguém consegue notar, têm liberdade pra se fortalecer. Se você ficar preocupado com o destino, ao chegar, apenas uma daquelas possibilidades vai se concretizar e você vai ficar frustrado por não saber o que realmente sentiria se isto ou aquilo fosse diferente. Temos que parar de nos preocupar com o resultado e apreciar o fazer, o por a mão na massa. É aí que está o prazer.
Calma, não to dizendo que não se deve ter objetivos, desejos ou sonhos, um lugar a se chegar. Se fosse assim ficaríamos o tempo todo apenas dando voltas à toa sem chegar nunca em lugar algum. Mas devemos parar de nos preocupar com os caminhos. Todos nos levam ao mesmo lugar.
Se você, durante a viagem, somente parar e ficar olhando pela janela, deparar-se-á (viu só, mesóclise!) com uma dura realidade: o mundo não pára por que você decidiu parar. As coisas vão continuar a passar por você. Não dá pra voltar. Cada vez passa mais rápido e se você continuar olhando elas começam a perder o foco e de repente não se sabe mais onde está, o que se passou. Você fica perdido. Então, não recomendo que isso seja feito.
Sugiro, ainda, que quando você estiver cansado da viagem ou se sentir tão bem que comece a acreditar que não é mais necessário um destino, pare por 1 minuto e olhe para a janela – é pouco tempo, não dá pra perder o foco. O que você vê? Isso mesmo, as coisas passam. Boas ou más. Tudo é passageiro. Nada é eterno, por mais que você queira acreditar nisso.
Se você pára de se preocupar com o destino, ao invés de frustrar-se por não saber se tomou o caminho certo, vai descobrir que só havia um caminho para seguir, e caso você não tenha aproveitado a viagem, sinto dizer, a próxima viagem já está começando. Ouça:
Senhores passageiros, por favor, apertem o cinto. O expresso com destino ao seu futuro está de partida. Não temos uma rota definida, mas temos um lugar pra chegar. Tenhamos, todos, uma ótima viagem.
2 comentários:
Muitas vezes nem percebemos que a felicidade está bem ao alcance de nossas mãos, nem é preciso muito esforço para chegarmos até ela, basta esticar os braços e abrir o coração para perceber a todo instante o deus das pequenas coisas. Talvez porque geralmente nunca estamos satisfeitos com nossa condição, sempre almejando algo que nem nós mesmos sabemos exatamente o que é.
Bastante reflexivo, Wagner, o seu ensaio sobre a felicidade.
Parte do segredo é saber onde você quer chegar... Se você não sabe o que quer, nunca estará satisfeito por tê-lo conseguido.
Abraço,
Postar um comentário