segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Eu era um velho, até hoje


"Não paramos de brincar porque ficamos velhos. Ficamos velhos porque paramos de brincar."

Sempre ouvi essa frase, mas não tinha entendido, até alguns dias atrás, o que ela realmente queria dizer.

Fui convidado pela minha irmã para ir com ela para uma Gincana que ia acontecer no seu colégio. Como não estava nos meus melhores dias, resolvi ir para "desanuviar" a cabeça. Experiência legal. Muita gente divertida, bonita, alegre, despreocupada. Conversei, dançei, pulei, ri, tirei fotos, conheci pessoas novas, paquerei, enfim, me diverti pra valer. Mesmo após o término da gincana, no caminho até a Lagoa a diversão era total. Apesar de me sentir meio deslocado no meio dos amigos da minha irmã (todos mais novos que eu), foi legal demais.
[Mini Flashback] Como sempre fui meio precoce - estudo, trabalho, entre outras coisas - todos os meus colegas e amigos eram/são mais velhos que eu [/Mini Flashback] Lembra da época em que fazíamos a 8ª série, e saia todo mundo, da escola até em casa, fazendo aquela algazarra no meio da rua? Pronto, desse jeito. Foi uma das tardes mais divertidas nos últimos tempos. Quando comentei com alguns amigos (os mais velhos) sobre minha programação do final de semana, ouvi muitos comentários como "Afff!", "Nããã...", "Deus me livre!". A princípio não entendi o porquê dos comentários, mas depois de algum tempo, e outros acontecimentos, percebi o seu real motivo: ficamos velhos. No auge dos nossos vinte e poucos anos e ficamos velhos. Paramos de brincar.
O post na verdade começa com isso: Paramos de brincar. Vejo o termo brincar de duas formas:
A primeira diz respeito a brincar mesmo. Nós não brincamos mais. Alguns, como eu, ainda jogam video-game, outros nem isso. A vida ficou muito séria. Tá faltando diversão. Quem aí já soltou pipa (ou arraia, cafifa, pandorga, papagaio, quadrado, raia, tapioca, balde)? Bola de gude? Peão? Pic-Pega? Pic-Esconde? Barra bandeira? Por que não fazemos mais isso? Ah! Claro, falta tempo. Essa nossa vida atribulada. Mas vocês não imaginam como a vida fica melhor depois de uma tarde de jogos e brincadeiras, sem preocupações com o futuro, com a monografia, com o trabalho, com a namorada ou o fato de não tê-la. Fazer algo por prazer, puro e simplesmente. Sem cobranças, críticas, expectativas, reclamações, prêmios, medos. Sinto falta de brincar. Preciso brincar.
A segunda, que acaba englobando a primeira, remete às coisas simples da vida. O brincar no início do texto, no meu ponto de vista, não diz respeito apenas ao que eu disse aqui em cima, diz respeito a valorizar coisas simples da vida, como brincar. Banho de chuva, andar de bicicleta, fazer pipoca (na panela), brigadeiro, olhar a chuva, caminhar no parque, nadar num lago, viajar sem destino, escrever cartas que ninguém vai ler, aproveitar a viagem. Acho que vocês já entenderam onde quero chegar.
Queria poder falar mais, mas não vai dar. Tenho que concluir algumas planilhas para o trabalho, depois tenho aula. Tenho que dar prosseguimento às minhas pesquisas, terminar a leitura de um livro e ainda conhecer a mulher da minha vida (queria que fosse hoje, mas...). E vou brincar também. Queria que chovesse. Faz tempo que não tomo banho de chuva.

3 comentários:

NANDO DAMÁZIO disse...

Cara, a lista é enorme, mas sempre que vejo os blogs com atualizações, o seu é o primeiro que faço questão de conferir. Como sempre, hoje entrei aqui afoito para ler mais um de seus brilhantes textos e mais uma vez fiquei tocado com a maneira como você conduz os sentimentos mais simples com palavras tão marcantes, a exemplo desse post sobre como envelhecemos antes do tempo.

E não é que, ao ler o próximo, me deparo com uma surpresa?
Wagner, escrevi sobre você e seu blog sem pretensões, apenas como reconhecimento mesmo, mas você retribuiu de uma forma como eu não esperava e que me emocionou de verdade. Sem falar que fiquei todo "me sentindo" em ver como "um grande pensador" - que tenho a ceteza que você é - analisou meu texto. Meu deu mó incentivo, pode levar fé. Brigadão pela moral, cara, e já tava sentindo sua falta. Esse daqui é um dos lugarzinhos favoritos onde venho buscar pedacinhos de alimento para minha alma. ;)
Aquele abraço, Wagner, bem apertado, de amigo mesmo.
Té mais!

Wagner Emanuel disse...

Me senti do mesmo jeito qdo me vi no seu blog, realmente é um incentivo muito bom...

Pois é, to tendo que resolver alguns problemas de acesso, por isso os posts estão mais demorados, e eu to sem comentar muito... Mas nesses dias eu resolvo isso...

Abs!
Té mais ver!

Clébio Melo disse...

Nunca é tarde para beber de boa fonte e comentar algo que te fez bem. Foi isso que senti ao ler esse texo de algum tempo atrás. Estou sentindo falta de textos assim, saudosistas, sentimentais, no seu blog. Procuro sempre algo desse tipo quando leio blogs. Queria ter pelo menos um desses por dia para alimentar a minha inspiração. Você tem um forte poder de descrição. Ela é rica! Abçs!